O que você busca?
Somos todos buscadores. Todo mundo tem esse
sentimento de busca dentro de si. É uma espécie de inquietude ou de ansiedade.
Talvez se traduza por uma sensação de não saber bem o que fazer na vida.
Para algumas pessoas esse sentimento é
muito forte. É, cada vez, mais comum, histórias de pessoas que estão largando
seu emprego, chutando o balde e indo correr atrás dos seus sonhos ou buscando
alguma alternativa de vida, porque sentem que existe algo mais, que não querem
viver uma vida apenas obedecendo as normas e padrões vigentes. Buscam mudanças,
buscam serem mais elas mesmas e buscam a felicidade.
Talvez, este sentimento de busca, esteja
levando as pessoas a viajarem mais também. Parece que viajar tem uma
correspondência com essa inquietude natural do ser humano. Ver outras culturas,
buscar novas paisagens, fazer novos amigos e sair do comum, da mesmice, da vida
quotidiana. Nada parece ser tão enfadonho ao ser humano quanto à rotina.
Cresce o número de viajantes que estão à
procura de si mesmos. Esse é o verdadeiro motivo da busca que, muitas vezes,
parece se perder. Pelo caminho existem muitas distrações. Ainda, assim, a
inquietude continua lá dentro. Pode parecer que o mundo está contra eles,
porque não encontram satisfação em sua busca.
Enquanto, não encontram seu objetivo
estarão sempre insatisfeitos, procurando por alguma coisa. O que, talvez, não
percebam é que lhes falta um objetivo de vida.
Toda viagem deve ter um objetivo ou tema
central, senão acabamos vagando sem rumo. Assim, também é na vida, que é uma
grande “viagem”. Uma viagem é uma metáfora da vida. A vida é uma viagem.
No final, somos todos viajantes e temos,
todos, o mesmo objetivo, que é o desenvolvimento de nossa consciência profunda,
ou, em outras palavras, o desenvolvimento espiritual.
Essa necessidade, que percebemos com essa
espécie de inquietude ou ansiedade, é na realidade “fome interior”. Em determinados momentos da vida, sentimos mais do
que em qualquer outro, mas não compreendemos o que é. Como não sabemos o que é
e não sabemos o que fazer, acabamos indo buscar fora de nós, na aquisição de
objetos, prazeres, profissão e viagens, por exemplo.
Temos uma ânsia inconsciente para
satisfazer esta “fome” de algo, que normalmente é confundida com as necessidade
exteriores.
Quando estava fazendo o Caminho de
Santiago, na Espanha, percebi que quando as necessidades básicas materiais são
atendidas e não temos que nos preocupar com elas, podemos ver mais claramente
as coisas essências da vida, que nos alimentam de verdade, que matam a fome interior
e nutrem nossa alma. São energias positivas, como gratidão, amor, amizade
sincera e harmonia com a natureza. É, colocar-se em sintonia com você mesmo e
com o Universo.
Acontece que estamos normalmente tão
mergulhados em nossos problemas sociais, familiares, profissionais e tantas
outras distrações que não temos tempo para perceber nossas necessidades
interiores.
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