O Jardim como Forma de Terapia


Quando eu era criança, meus pais compraram um pequena chácara na zona rural de Nova Friburgo. Passamos a frequentar a chácara nos finais de semana e isso incluía algumas aventuras. Durante a semana, morávamos em um apartamento no centro da cidade. Eu sofria um pouco com uma bronquite asmática e também vivia resfriado. Esse estado de saúde, um pouco frágil, principalmente a mudanças do clima, me rendeu o apelido de "cristaleira".

Hoje, o jardim é o meu local predileto. Adoro recuperar minhas energias descanso um pouco embaixo das árvores e saboreando água de coco, do coqueiro que plantei. 

Mas, passado alguns anos, meus pais, resolveram construir uma casa maior na chácara e quando eu tinha por volta dos nove ou dez anos, nós mudamos para lá. Não foi tão difícil assim me acostumar a viver na roça, pois já estava familiarizado com o lugar. E, realmente, minha adaptação foi rápida.

Comecei a ter uma liberdade que eu nunca havia imaginado antes e também comecei a fazer incursões para uma pequena mata que havia na parte mais alta do terreno. Andava no meio do mato com desenvoltura e não tinha medo, nem de cobra. Aliás, sapos, cobras, aranhas, pássaros e plantas estavam integrados ao meu dia a dia. Também tinha cachorro, galinha, porco e cabra. Acho, que eu só não virei um autêntico roceiro porque continuei a estudar na cidade.

Toda essa vida rural, me levou a um nível mais profundo de contato e experimentação com a natureza. E, isso me marcou para sempre. Uma dessas experiência foi começar a fazer o jardim da casa. Ao me interessar por plantas, especialmente, as flores, um novo universo se descortinou para mim. Com o tempo comecei a ler revistas e livros sobre jardinagem, me levando a conhecer ainda mais sobre cada tipo de planta. Cheguei a montar um orquidário onde tive cerca de cem vasos de orquídeas.

Esse conhecimento e o amor pelas plantas eu trouxe comigo ao longo da vida. Não foi nada planejado. Uma vez acabei fazendo um curso de jardinagem, que foi completamente teórico e chato. Outra vez, junto com um amigo consigamos organizar um curso de introdução a botânica, que apesar de interessante, acabou sendo muito complexo. De qualquer forma, tudo isso colaborou para o meu conhecimento sobre plantas. E continuei me interessando por tudo que envolvia natureza como agroflorestas e permacultura.

Bem, nessas voltas da vida, acabei mudando o rumo e fui fazer faculdade, enfim, me afastei um pouco da vida rural. Mudamos de cidade, não tinha mais terra, mas a curiosidade e o amor pelas plantas sempre me levaram a estar de alguma maneira ligados a elas. Então, aconteceu de meus pais comprarem um casa em Rio das Ostras, com um pequeno quintal em volta da casa, coberto por pedra brita. Minha mãe se sentiu incomodada com a falta de verde e começou a plantar.

O tempo passou, muitas coisas aconteceram, eu me tornei terapeuta holístico e nos últimos 6 anos, eu venho experimentando muito de todos esses conhecimentos que fui agregando ao longo da vida, nesse pequeno jardim. Tive que adaptá-lo as condições locais, ou seja, um clima quente, de região litorânea e com pouca chuva ao longo do ano. O conhecimento das plantas, inclusive de botânica, me ajudou a escolher espécies mais adequadas para o clima. O meu hábito de observar a natureza me ajudou a identificar espécies que nasciam espontaneamente no local. Consegui sem muita dificuldade integrá-las ao jardim, que passou a ser meu laboratório vivo. Muitas dessas plantas são PANCS - Plantas Alimentícias Não Convencionais - que transformaram o jardim em uma pequena horta.

O meu jardim é orgânico, ele vai crescendo e vai mudando com o tempo. Esta foto me lembra as várias experiências que fiz. Atualmente, já está um pouco diferente. 
Comecei também a usar as técnicas de terapias nas plantas. Quando comecei a fazer o jardim, utilizei radiestesia e com a ajuda de um pêndulo fui identificado qual era o lugar que as plantas gostariam de ficar. Essa técnica me levou a plantar plantas de sombra no sol e de sol na sombra. Apesar da falta de lógica nesse processo, a perda de plantas, sempre foi mínima. A maior parte das plantas vingaram e são muito resistentes. Tive que cortar dois grandes amendoeiras que cresciam na frente da casa, mas elas foram substituídas por novas árvores que formam hoje um pequeno pomar. Nasceram, espontaneamente, um pé de goiaba e um pé de pitanga. Não os incomodei e seguem frutificando todos os anos. Eu plantei um coqueiro que, produz, praticamente o ano todo; um pé de jabuticaba, que ficou anos plantado em um vaso, e, um ipê amarelo. Além, dessas árvores, já havia um pé de figo nos fundos que foi plantado por minha mãe.

As plantas que acabaram formando um verdadeiro maciço verde e são as mais presentes no jardim, são em sua maioria bromélias. Também tem folhagens, medicinais e outras plantas que fomos introduzindo, inclusive algumas flores.

A maior parte dessas plantas eu encontrando na rua. Eram plantas que foram sendo cortadas ou arrancadas dos jardins das casas do bairro e fui resgatando. Costumo brincar e dizer que se pode começar um horto apenas com plantas que são jogadas fora, na rua.

Ainda, utilizando a radiestesia encontrei os pontos energéticos com problema do jardim e os tratei com pedras, utilizando uma técnica conhecida por litopuntura. Isso ajudou bastante a harmonizar o jardim e toda a energia da casa.

Durante todo este tempo de jardinagem e terapia, acabei encontrando em meu próprio jardim um tipo de terapia para mim. Trabalhar no meu pequeno jardim é para mim altamente terapêutico. O jardim é hoje para mim o melhor lugar da casa e também o mais energizado. Sempre que preciso me balancear e carregar minhas energias, reservo algum tempo para trabalhar no jardim, ou, apenas, contemplá-lo.

Sempre aprendo muito com o jardim. O maior aprendizado, no entanto, tem sido observar como ele está sempre mudando. Nunca é o mesmo. Por causa disso, entendo, cada vez mais como a vida orgânica é dinâmica e interdependente. E, nós seres humanos fazemos parte dessa vida. Por isso, estamos também sempre mudando, ou deveríamos estar.

E, quanto, a minha saúde, que citei no início deste texto, a minha aproximação com a natureza me tornou resistente. Nunca mais tive problemas com bronquite. Claro, que também aprendi a utilizar as plantas e energias da natureza para me cuidar, porque, sou parte dela.



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