O Problema Humano do Capitalismo Moderno



Reproduzo a seguir um texto que sempre me marcou muito e, que, considero uma excelente reflexão para nossas vidas.[1]

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O problema humano do capitalismo moderno pode ser formulado assim:
O capitalismo moderno necessita de homens que cooperem sem atrito e em amplo número; que queiram consumir cada vez mais; e cujos gostos sejam padronizados e possam  ser facilmente influenciados e previstos.

Necessita de homens que se sintam livres e independentes, não submissos a qualquer autoridade, ou princípio, ou consciência – e contudo desejosos de ser mandados, de fazer o que se espera deles, de adequar-se em fricção à máquina social; que possam ser guiados sem força, dirigidos sem líderes, impulsionados sem alvos, exceto o de produzir bem, estar em movimento,, funcionar, ir adiante.

Qual é o resultado? O homem moderno é alienado de si mesmo, de seus semelhantes e da natureza. Transformou-se num artigo, experimente suas forças de vida como um investimento que lhe deva produzir o máximo de lucro alcançável sob as condições de mercado existente. As relações humanas são essencialmente as de autômatos alienados, cada qual baseando sua segurança na posição mais próxima do rebanho e em não ser diferente por pensamentos, sentimentos, ou ações. Ao mesmo tempo que todos tentam estar tão próximos quanto é possível dos demais, todos se sentem extremamente sós, invadidos pelo profundo sentimento de insegurança, ansiedade e culpa que sempre ocorre quando a separação humana não pode ser superada.

Nossa civilização oferece muitos paliativos que ajudam as pessoas a se tornarem conscientemente inconscientes dessa solidão: antes de tudo, a estrita rotina do trabalho mecânico, burocratizado, que as auxilia a permanecerem sem conhecimento de seus desejos humanos mais fundamentais, da aspiração de transcendência e unidade.

Como a rotina, por si só, não o consegue, o homem supera seus desespero inconsciente através da rotina da diversão, do consumo passivo de sons e visões oferecidos pela indústria do divertimento, e , além disso, pela satisfação de comprar sempre coisas novas e de logo trocá-las por outras.
E, quando nada disso funciona lança mão das drogas, do álcool e de anti-depressivos.


[1] Erich Fromm, The Same Society

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