Minha Experiência em Machu Picchu
Machu Picchu, uma máquina de energia
Escrever sobre Machu Picchu não é uma tarefa fácil, já existem milhares de sites que falam tudo sobre a cidade sagrada dos Incas e que mostram como você pode chegar lá.
Desta forma não vou ficar aqui escrevendo sobre “como fazer para ir a Machu Picchu”. Existem diversas formas, desde comprar um pacote até, até ir por conta própria. Você pode encontrar essas informações em maior quantidade e melhor qualidade em outros sites do que aqui.
Neste post, eu vou contar a minha experiência em Machu Picchu. Experiências são muito subjetivas, cada um faz a sua. Meu conselho é: não acreditem em minhas palavras. Verifiquem. Façam suas experiências e tirem as suas próprias conclusões. O que quero dizer, é, vá a Machu Picchu e de preferência me convide...
O Sonho
Visitar Machu Picchu era um sonho antigo. O problema com os sonhos é, que, se nós, não os transformamos em projetos, eles permanecem com um sonho, uma ilusão.
Normalmente, identificamos um sonho quando começamos uma frase com as palavras "um dia". Um dia eu vou, portanto, é uma expressão que nos leva a lugar nenhum.
Por muito tempo eu disse para mim mesmo, um dia eu vou a Machu Picchu. Acontece que de fato, eu não tinha a menor motivação interior para juntar dinheiro, comprar uma passagem e ir.
Com o passar dos anos, a minha motivação também foi mudando e ultimamente eu tinha minhas dúvidas sobre se queria e deveria mesmo gastar tempo e energia para fazer esta viagem.
A questão era o que eu ia fazer lá? Somente fazer turismo, chegar, olhar e tirar fotografias para postar no Facebook, não era motivo forte o suficiente para mim.
Sei -dizem - que é importante viajar para conhecer outras culturas, abrir a mente, viver experiências diferentes, mas quando olho para o tipo de viagem que as pessoas fazem atualmente, eu fico estarrecido. A meu ver, ninguém viaja realmente para conhecer culturas e abrir a mente, salvo alguns poucos e raros viajantes que possuem sensibilidade e se lançam no mundo sem data para retornarem para casa. Para estes, o mundo é sua casa.
O turismo de massa se tornou uma praga. A viagem se tornou mais um produto de consumo na prateleira do mercado turístico. Um pacote de quatro dias a um destino turístico é insuficiente para proporcionar as pessoas um verdadeiro contato com a cultura local. As pessoas estão viajando somente para alimentar o ego. A vaidade de poder dizer "fui ao exterior" é maior do que a verdadeira necessidade que existe no ser humano e que provoca o fenômeno de deslocamento conhecido por turismo.
Existe um fator oculto que leva as pessoas a viajar. Esse fator era conhecido por alguns especialistas, que na antiguidade, instituíram o deslocamento até certos lugares, como uma forma de levar as pessoas a obterem uma substância que poderia preencher suas necessidades internas. Desta forma, nascem as primeiras viagens e que, depois, se transformam em peregrinações a santuários. Viajar nunca foi um acaso. O ser humano realmente tem a necessidade e o dever de se deslocar na face da Terra.
Quando comecei a entender isso, comecei a me perguntar aonde realmente deveria ir para obter resultados palpáveis e cumprir o meu papel. Seria Machu Picchu um desses lugares?
Eu não tinha outra forma de saber que não fosse eu mesmo ir e descobrir. Assim, quando surgiu à oportunidade eu não pensei duas vezes.
A máquina
Por algum tempo estive estudando certas construções e lugares sagrados. Por que foram construídos? Com que função? Isso se chama arquitetura sagrada.Normalmente, as pessoas fazem uma leitura arquitetônica convencional ou olham pela ótica da engenharia. Até hoje, não se explica como povos que, aparentemente, não possuíam tecnologia e só tinham força bruta, conseguiram mover blocos de pedras pesando toneladas. Acho ridículo dizer que esses povos construíram tudo isso lascando pedras, batendo uma na outra até que adquirissem alguma forma. Basta olhar os cortes das pedras e os encaixes. Isso é o suficientes para admitirmos que não entendemos ainda.
A arqueologia transforma tudo, ou em túmulo, ou em local de sacrifício. Nada contra a arqueologia, mas achar que o mundo antigo se resumia a vaidade de reis e sacerdotes que não tinham outra coisa a fazer que chicotear alguns escravos e mandar empilhar pedras é menosprezar o esforço, a sabedoria, a ciência, a tecnologia e a verdadeira necessidade que levou algumas civilizações avançadas do passado a construir monumentos para os quais, não encontramos explicações. Simplesmente, não podemos explicar com o nível de compreensão que temos hoje. E, tudo indica que o nível de compreensão humana só vem perdendo qualidade, enquanto, o nível tecnológico de construção de coisas fúteis cresce de modo exponencial.
O fato é que aquelas civilizações fizeram um grandioso investimento no futuro e nos deixaram presentes de valores inestimáveis. Um destes presentes é a cidade Inca de Machu Picchu, como eu pude constatar.
Cheguei a Machu Picchu ainda muito cedo, antes de o dia clarear. Os primeiros raios de sol da manhã começavam a brotar por trás das montanhas sagradas. As brumas da manhã filtravam a luz, e, um jogo de sombras começou. Imediatamente, recordei dos filmes de ficção e podia, a qualquer momento, escutar uma voz , que vinda de algum lugar, me convocava para uma aventura cheia de mistérios ou esperava ver, saindo por trás de alguma pedra, um mago, talvez o próprio Gandalf, da história do Senhor dos Anéis.
Enquanto, me recuperava do torpor do cenário mágico que via ao meu redor e tirava algumas fotografias, uma multidão de pessoas, vindas de todas as partes do mundo, começava a circular entre as construções de pedras da cidade sagrada.
Os guias turísticos formavam os seus grupos e chamavam, enquanto, erguiam uma bandeirinha para identificar sua localização. "Grupo condor", "grupo condor", ouvi o chamado do grupo no qual eu deveria ingressar para ouvir duas horas de sermão histórico. Inicialmente, me juntei ao eclético grupo. O guia falava e os turistas do grupo olhavam ao redor com cara de paisagem. Sempre que terminava explanação sobre um local específico o guia dizia: "alguma pergunta"?
Fiquei cansando daquilo. Estava mais interessado em ver e ouvir por conta própria. Mais do que isso, queria sentir Machu Picchu. Informação histórica eu poderia obter posteriormente em algum livro ou pela internet. Nesse momento, o sol já havia se erguido e, seus raios se projetavam sobre as construções de pedras, lhes emprestando um tom forte e amarelado. Como fotógrafo não podia perder este momento e escolhi me perder do grupo.
Comecei a circular pela cidade e suas incríveis construções. É impossível não se perguntar como construíram. Porém, eu tentava sentir. Esforcei-me ao máximo, para me retirar para dentro de mim, e não deixar que a maciça presença de turistas e seus guias falantes atrapalhassem a minha percepção.
Queria sentir o que havia naquelas pedras o que elas queriam dizer. O corte preciso, o encaixe perfeito. Ângulos e formas. Nada ali havia sido feito ao acaso, mas, obedecia a alguma lei ou sentido que os construtores daquele lugar respeitavam e sabiam usar com maestria.
Posicionei-me por trás de uma pedra onde havia uma marcação e uma placa onde dizia "pedra sagrada". Por detrás desta pedra pude ver uma montanha e o sol saindo por trás dela. A pedra sagrada tinha o mesmo formato do pico da montanha, ao fundo.
Machu Picchu foi construída voltada para o sol nascente. A cidade é totalmente georeferenciada. Existem referencias aos pontos cardiais, constelações, as montanhas, as pedras e a água. De imediato percebi o profundo conhecimento e respeito daquele povo pela natureza. Elas não somente adoravam o sol, as estrelas ou as montanhas - que chamavam de Apus, - como uma forma de culto primitivo, como os espanhóis supunham e a história nos conta. Eles adoravam porque compreendiam, porque sentiam e respeitavam a vida e suas manifestações. As construções de Machu Picchu são uma obra de profundo respeito à Natureza e as suas leis. Nada, ali, foi feito ao acaso. Percebi o profundo respeito e o nível de consciência e integração com as energias da natureza.
Sentei em uma pedra e comecei a olhar aquele cenário grandioso. Uma cidadela no alto das montanhas construídas como uma máquina para aproveitar todas as energias da natureza e possivelmente maximizá-las ainda mais. Sem dúvida, os inúmeros canais de água que cortam a cidade foram construídos não só com o propósito de levar água as casas e plantações, mas também tinham a função de ionizar o lugar, criando uma atmosfera ainda mais potencializada.
Algumas construções, em locais específicos, tinham como principal função serem centros de desenvolvimento humano. Ainda existem exemplos de lugares como estes espalhados ao redor do mundo. Esses lugares nos levam a crer que sempre existiu uma ciência voltada para o desenvolvimento da consciência humana. Os vestígios são semelhantes em várias partes e em civilizações diferentes.
Olhei para a montanha em frente e vi que ela pulsava energia. Toda a natureza em volta de mim estava viva. Procurei um lugar mais tranqüilo, na parte mais alta da cidade, para meditar por alguns minutos e tentar absorver ao máximo aquela energia, a atmosfera do lugar e poder fixá-los em mim, na minha memória, para depois levá-los comigo aonde quer que eu fosse. Queria tentar estabelecer a conexão com aquele lugar independente de tempo e espaço.
A beleza e a energia de Machu Picchu mexem com a gente. Sem dúvida que a circulação de pessoas vindas de todas as partes não é por acaso. Por menos perceptível e inconsciente que sejam dos níveis sutis de energias existentes, é impossível que uma pessoa, não seja minimamente tocada por este lugar.
Somente, lamento duas coisas: a falta de percepção das pessoas, que hoje vivem uma vida completamente robotizada, e que a máquina Machu Picchu já não funcione com todo o esplendor para o qual foi construída. A máquina está quebrada. Segundo o guia turístico, ela foi quebrada pelos próprios Incas quando a abandonaram.
Apesar disso, é um dos lugares mais importantes para se visitar, especialmente para buscadores que sentem a necessidade de desenvolvimento interior. Além disso, observar a arquitetura da cidade construída de acordo com as energias da natureza é primordial nesse momento da história humana onde precisamos desenvolver uma consciência maior em relação à vida no planeta.
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