São Francisco de Assis e a Tradição Sufi
São Francisco de Assis, um santo universal
São Francisco de Assis é admirado e
respeitado por diferentes credos. É um santo universal, não apenas da Igreja
Católica.
São Francisco era um trovador italiano,
boêmio, que depois de ter passado por uma forte experiência interior, tornou-se
santo. Depois disso, passa a exercer misteriosa influência sobre os animais. Tudo indica, que São Francisco, sofreu
influência direta do sufismo. Podemos rastrear algumas pistas, a começar pelo
próprio universalismo do santo. Assim, como os dervixes, São Francisco, não
limitou suas pregações a dogmas religiosos, muito pelo contrário, ele rompeu
com muito dos valores impostos pela Igreja Católica na época. Ele, esteve entre
os muçulmanos sendo recebido, sem nenhum problema e recebeu um salvo conduto do
próprio sultão para viajar e pregar entre eles. Ora, o sultão jamais
faria isso, se a mensagem de S. Francisco, não fosse aberta e encontrasse eco
nas afirmações do Islã.
São Francisco, na verdade, agindo como um grande diplomata, encontra os pontos em comuns entre as religiões, porque prega a verdade livre de condicionamentos e dogmas.
Fatos
São Francisco, na verdade, agindo como um grande diplomata, encontra os pontos em comuns entre as religiões, porque prega a verdade livre de condicionamentos e dogmas.
Fatos
Vejamos, no entanto, fatos da vida do
santo, que levam a crer que o seu contato com os dervixes foi mais forte e
autentico do que se pensa.
Os trovadores, por exemplo, surgiram dos
músicos e poetas sarracenos. São Francisco falava provençal, a linguagem dos trovadores.
A poesia trovadorescas continha elementos mais profundos, tendo como tema
principal o amor que, S. Francisco, certamente, conseguia notar. Assim, também
sabia que a fonte de inspiração dos trovadores, estava no Oriente, ligada aos
sufis.
Para tentar estabelecer contato com a
fonte, S. Francisco resolve viajar ao Oriente. S. Francisco aos 30 anos de
idade, parte para a Síria, onde haviam se estabelecido os dervixes dançantes.
Com problemas financeiros, volta para a Itália e de lá consegue ir para o
Marrocos. Viajam através da Espanha, que estava nesta época fortemente
impregnada da filosofia das escolas sufis. Como não conseguiu chegar ao Marrocos
por problemas de saúde, retorna em 1214 para casa.
Pouco tempo depois, partiu para as
Cruzadas. Em Damieta, que estava sitiada pelo Sultão Malik El-Kamil, S. Francisco, vai vê-lo, no acampamento do
outro lado do rio Nilo. Dizem, os biógrafos, que a intenção de S. Francisco era
convertê-lo. Mas, sai de lá com permissão do sultão para viajar, pregar aos seus
súditos e com um convite para voltar frequentemente a visitá-lo.
Como um trovador, em busca das suas
origens, muito provavelmente, S. Francisco encontrou o que procurava na corte
do sultão Malik El-Kamil. Voltando para o lado dos cruzados, S. Francisco, que
não havia convertido ninguém entre os muçulmanos, ainda tenta dissuadir os
cristãos a atacarem o inimigo.
S. Francisco e seus irmãos, também, estiveram
diante do Papa Inocêncio III, que autorizou a fundação da ordem dos irmãos menores, os
franciscanos. Na audiência com o Papa. S. Francisco utilizou-se de uma
parábola, conhecida entre os sarracenos. Não causou grandes impressões e foi
dispensado. Mas o Papa teve um sonho revelador. Chamando-o de volta, aprova a
ordem.
Diz, a tradição que os sufis, são os
cristãos esotéricos do deserto e que a corrente sufista representa o
cristianismo de forma continuada.
Na época, existia em paralelo a ordem dos irmãos menores, que S. Francisco fundou,,
a “ordem dos irmãos maiores”, uma ordem sufi, fundada por Najmuddin Kubra, “ o
Maior”. Najmuddin Kubra era conhecido em
todo o Oriente, 60 anos ante do nascimento de S. Francisco, sobretudo, pelo
poder de exercer influência sobre os animais. Seus retratos são pintados com
ele rodeado de pássaros.
São Francisco também compôs o poema Cântico
do Sol. Vários poemas do mestre sufi Jalaludin Rumi, chefe dos dervixes dançantes,
são dedicados ao Sol de Tabriz. Mais um paralelo interessante.
Diz o escritor e mestre sufi Idries Shah:
“ A atmosfera e a implantação da ordem franciscana estão mais próxima de uma organização de dervixes do que qualquer outra. À parte as histórias a respeito de São Francisco comuns aos mestres sufistas, todos os tipos de ponto coincidem. A metodologia especial do que Francisco denomina “oração sagrada”” indica uma afinidade com “recordar” dos dervixes muito distante da dança. O traje da ordem , com o manto provido de capuz e mangas largas, é o dos dervixes do Marrocos e da Espanha. Como o mestre sufista Attar, Francisco trocou suas vestes com as de um mendigo. Viu um serafim de seis asas, alegoria empregada pelos sufis para comunicar a fórmula do bihmillah. Jogou fora cruzes cheias de pontas, que muitos dos seus monges usavam para se mortificar. Este ato pode não ter sido executado exatamente como se contou. Pode assemelhar-se a prática dos dervixes de rejeitar cerimoniosamente uma cruz com as palavras: “Você pode ter a cruz, mas nós temos o significado da cruz”, ainda usada...
Francisco não quis fazer-se padre. Como os sufis, engajou leigos em seu apostolado e também como os sufis mas à diferença da Igreja, procurou espalhar o movimento entre todas as pessoas, em alguma forma de afiliação. Foi este o primeiro reaparecimento da Igreja, desde o seu pleno estabelecimento hierárquico, do elemento democrático: o povo cristão, distinto das simples ovelhas que precisam ser alimentadas e das almas que precisam ser governadas.”
Diz o escritor e mestre sufi Idries Shah:
“ A atmosfera e a implantação da ordem franciscana estão mais próxima de uma organização de dervixes do que qualquer outra. À parte as histórias a respeito de São Francisco comuns aos mestres sufistas, todos os tipos de ponto coincidem. A metodologia especial do que Francisco denomina “oração sagrada”” indica uma afinidade com “recordar” dos dervixes muito distante da dança. O traje da ordem , com o manto provido de capuz e mangas largas, é o dos dervixes do Marrocos e da Espanha. Como o mestre sufista Attar, Francisco trocou suas vestes com as de um mendigo. Viu um serafim de seis asas, alegoria empregada pelos sufis para comunicar a fórmula do bihmillah. Jogou fora cruzes cheias de pontas, que muitos dos seus monges usavam para se mortificar. Este ato pode não ter sido executado exatamente como se contou. Pode assemelhar-se a prática dos dervixes de rejeitar cerimoniosamente uma cruz com as palavras: “Você pode ter a cruz, mas nós temos o significado da cruz”, ainda usada...
Francisco não quis fazer-se padre. Como os sufis, engajou leigos em seu apostolado e também como os sufis mas à diferença da Igreja, procurou espalhar o movimento entre todas as pessoas, em alguma forma de afiliação. Foi este o primeiro reaparecimento da Igreja, desde o seu pleno estabelecimento hierárquico, do elemento democrático: o povo cristão, distinto das simples ovelhas que precisam ser alimentadas e das almas que precisam ser governadas.”

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