Por que você deve fazer o Caminho de Santiago de Compostela?




Todos os anos mais de 280.000 pessoas atravessam a Espanha de leste a oeste a pé, de bicicleta ou a cavalo para chegar a Santiago de Compostela. Durante o caminho, passam frio, calor, sede, cansaço e enfrentam todo tipo de situação, voluntariamente. E, no entanto, o fenômeno do Caminho de Santiago não para de crescer de forma vertiginosa ano após ano.  A cada temporada atrai peregrinos de todos os continentes.

Mas, qual é a razão do êxito esmagador de uma peregrinação de origem remota, que teve sua propagação na idade média e chega até os dias de hoje com força total?
A resposta não é simples. As pessoas podem fazer o Caminho pelos mais variados motivos. Mas, acho que, independente do motivo, existe uma necessidade básica humana: quem começa o Caminho de Santiago, pode não saber, mas está começando uma viagem iniciática ao interior de si mesmo, que mudará a percepção de muitas coisas.



Caminhar pela Rota das Estrelas - como também é chamado - é completamente diferente de praticar caminhada em qualquer outro lugar do planeta. O Caminho de Santiago tem características que somadas formam um conjunto de forças que se sobrepõem que não existe em outro lugar. A hospitalidade, a tradição, a história, a arte, a desconexão com o supérfluo, o contato com a natureza, a energia deixada por milhões de peregrinos depositada em cada pedra, em cada árvore, em cada esquina, faz deste Caminho, uma verdadeira rota iniciática, uma experiência única no mundo.
É uma aventura a pé, pela Rota das Estrelas, reflexo na Terra, de um outro caminho celeste, a Via Láctea, que sempre foi utilizada ao longo dos séculos por centenas e milhares de peregrino para orientar seus passos até a tumba de Santiago e depois a Finis Terrae.

Obviamente, ao longo do tempo, muita coisa mudou. Onde, antes havia bosques, lobos e bandidos, agora tem cidades, asfalto e carros. Atualmente, o peregrino conta com toda uma infraestrutura moderna, como albergues bem equipados, restaurantes e wi fi.

Mas não foi só o caminho que mudou, os peregrinos destes novos tempos, também. No lugar de pedir esmola, como faziam os peregrinos medievais, agora se leva no bolso o celular e o cartão de crédito. Apesar das mudanças, a essência da Rota das Estrelas, continua a mesma.

A peregrinação pela Rota das Estrelas é uma viajem de quase 800km em direção ao interior de si mesmo, que cada um compreende de acordo com sua capacidade. Alguns fazem-no pelo prazer de caminhar, outros por convicções religiosas ou pelo interesse artístico e histórico do Caminho. Alguns são cumpridores de promessas e ainda existem os que fazem por uma mescla de todos esses motivos. No fundo, estão todos em busca de sua própria essência. O que, talvez a maioria não saiba é que, independente do motivo, ao fazer o caminho, está se iniciando um processo de transformação que os afetará de maneira irreversível.

O certo é que, depois de percorrer quase 800km a pé, conhecendo gente do mundo inteiro, caminhando sobre calçadas romanas, se impactando com gótico das catedrais, se deslumbrando com as paisagens, cruzando as planícies castelanas e leonesas, penetrando pelas densas e húmidas florestas de carvalho da galícia e enfrentando as tão temidas bolhas nos pés, quase ninguém se sentirá tocado por uma força maior ou invadido por alguma emoção ao finalizar o Caminho de Santiago.

Esta aventura ao seu próprio interior será, sem dúvida, uma experiência única e difícil de repetir em outro lugar do mundo. É uma jornada cujo objetivo final é escutar, observar e abrir o coração e os sentidos.

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