Dúvida? Incerteza? Não sabe o que fazer da vida? Isso é bom!

Não existe fórmula mágica


Não existe fórmula para viver. Quando chegamos a esse mundo não trazemos conosco um manual de instruções. Temos que aprender através de diversas experiências.

Por isso, se diz que a vida é uma escola e que estamos aqui para aprender. Nem sempre é fácil. Muitas vezes ficamos desorientados e não sabemos qual caminho escolher.

E, assim, são, os caminhos da vida, cheios de incertezas. Recentemente, estava conversando com um jovem que me disse estar cheio de dúvidas. Eu respondi, "que bom". Ele ficou muito impressionado e me perguntou porque eu achava isso bom.


Por que é bom não ter certeza de nada?


Simplesmente, porque isso nos abre inúmeras possibilidades. Não ter certeza de nada é um estado incrível, que infelizmente, nossa cultura, não percebe como uma oportunidade.

Recebemos uma educação que valoriza metas, prazos, objetivos e certezas. Você "tem que". É uma programação autoimposta por diferentes sistemas de crenças que herdamos da família, da sociedade, da religião, da cultura, etc. Isso se chama condicionamentos.

Nem todos os condicionamentos são ruins. Alguns são necessários para vivermos em harmonia social. Outros podem nos fornecer bases para sermos pessoas dignas. Nem sempre é ruim.

O problema começa quando estes condicionamentos são tão rígidos que nos deixam paralisados. E, pior, não conseguimos vê-los como "programas" que foram implantados em nós. Acreditamos que são "a verdade". Nesse ponto, a pessoa se cristaliza de tal forma, que vive uma vida limitada por sua própria mente. São pessoas rígidas.

Quando começamos a vê-los e questioná-los, muito provavelmente, será o momento, em que as dúvidas e incertezas vão começar a surgir.

Observando os condicionamentos


Observar os nossos condicionamentos é uma etapa no caminho do autoconhecimento. Precisamos estar atentos para compreender o que nos ajuda ou prejudica a cada momento ou situação de nossas vidas.

O conselho do mestre sufi Bahauddin Naqshbandi é:

"Prepara-te para descobrir todas as  crenças que se deviam ao seu meio ambiente eram menores. Mesmo que tenham sido de grande utilidade um dia, podem converter-se em inúteis e, por conseguinte, em armadilhas". 

Talvez, você precise da ajuda de um terapeuta ou diretor espiritual para ajudá-lo a criar um "mapa" de suas crenças limitantes, aqueles que servem ou não servem mais para você.

No entanto, o mais importante, é que você desenvolva esta habilidade de olhar para si mesmo e consiga por sua própria conta enxergar seus condicionamentos, pois sempre vai precisar revê-los.

Um dever de Casa


Um dever de casa é praticar de vez em quando uma reflexão. Parar para pensar pode ser muito difícil principalmente em nossa sociedade condicionada a dispersão e com mil possibilidades de entretenimentos e anestesias diversas, entre elas, drogas.

Se você não tem prática comece com um exercício simples. Pegue lápis e papel. Sente-se em um lugar confortável. Você também pode colocar uma música suave. Trace uma linha na folha de papel, dividindo-a em duas colunas. Em uma coluna você vai anotar as coisas que você gosta e na outra das que você não gosta.

Pode ser um exercício muito simples, mas para muita gente pode ser complicado. Acredite tem gente que nunca parou para pensar nisso.

Lembro-me bem, de uma cliente, que chegou com depressão e sem nenhuma perspectiva na sua vida. Eu perguntei, "o que você gosta de fazer" e ela não sabia me responder. Tivemos que começar todo um processo para que ele começasse a enxergar os padrões de sua vida.

Por mais simples que seja este exercício não o subestime, por trás de cada "gosto" e "não gosto" existe um condicionamento. E, as vezes coisas que você gosta também podem limitá-lo.

Dependendo, de quanta interferência em sua vida seus gostos provoquem, você talvez tenha que repensá-los.

O que fazer com a confusão em minha cabeça


Se você já entrou na "roda do ramster" - aquela que um ratinho fica girando sem sair do lugar - e sua cabeça está dando voltas e mais voltas e você está terrivelmente confuso, não se preocupe, existe uma saída. Porém, depende de você. Você terá que fazer o esforço.

O exercício que citei acima já vai te ajudar a começar a enxergar os seus padrões. E quando você olha a confusão de uma maneira mais objetiva, você começa a se afastar dela. Então, você tem um grande poder em suas mãos, que é o poder de escolha.

Olhe, escolha, se decida. Vá em frente. "Quem decide pode errar, quem não decide já errou."

Não tenha medo de errar, este é apenas mais um condicionamento da nossa sociedade. "Não podemos errar". Como assim? Claro, que podemos e até devemos. O seu erro pode até mesmo se converter em um acerto. Não existe certo e errado. São apenas os nossos sistemas de crença que determinam isso.

Tente não ficar pensando na situação o tempo todo. Abra espaço em sua mente. Muitas vezes as situações se resolvem independentes da nossa vontade.

Podemos, ver isso, mais claramente, quando estamos diante de uma situação que para nós não tem solução. Se, não tem solução, solucionado está. Pronto! Seguimos em frente.

Afaste-se


Esta técnica é simples porém exige mais prática. Quando nos encontramos em uma situação de confusão, podemos nos afastar dessa confusão para olhar a situação de fora.

Aconselho a começar prestando atenção em sua respiração. Somente preste atenção em sua respiração. Isso já tem o poder de te tirar da confusão. A partir daí, comece a olhar a situação de diferentes ângulos.

As vezes, na vida, também precisamos de momentos de pausas, de reflexão. Se você puder tirar uns dias e fugir para as montanhas para pensar um pouco na vida será ótimo. Se não puder, aprende a se afastar internamente com a prática da respiração e autoreflexão.

As dúvidas e incertezas se vão, quando os condicionamentos que você aprendeu se forem.

Não pense demais


Sim, isso mesmo, pensar demais na vida também atrapalha. Não fique pensando demais. Não faça desse exercício um motivo para não agir porque "Oh! ainda não cheguei a uma conclusão".

Pense, reflita e aja. Saia da inércia, faça alguma coisa. Veja quais serão os resultados obtidos. Depois, sente-se e avalie novamente. Foi legal, não foi, o que posso aprender com isso? Como posso melhorar meu desempenho? Posso fazer algumas modificações? Agir de maneira diferente?

Abra mão dos resultados


Isso é bem difícil. Talvez seja o pior condicionamento coletivo humano: "Tenho que obter ganho".

"Tenho que dar resultado". "Tem que dar certo". "Tenho que ter lucro". "O que vão pensar de mim". E assim vamos criando infinitamente exigências e expectativas que nem sempre podemos alcançar. Exigimos demais de nós mesmo.

Por que não assumimos que vamos fazer isso ou aquilo simplesmente por que queremos, achamos legal ou sentimos prazer?

E, pode ser que funcione ou não, mas fui lá e fiz, porque me senti inspirado, impulsionado a fazer e porque queria passar por essa experiência.

Apesar de todas as incertezas que você tiver, quando resolver fazer alguma coisa faça e observe qual será o resultado obtido. Não julgue. Não crie expectativas. Apenas viva e saboreia a experiência. Depois avalie.

Use o bom senso


Claro, use o seu bom senso. Muitas vezes basta observar e usar o bom senso para saber qual será o resultado. Não preciso pular do alto de um edifício para saber o que vai acontecer...

Pode parecer estranho, mas muitas vezes, esquecemos de usar o bom senso. Ele está ai pra isso. É uma espécie de atitude de autopreservação inteligente.

Um mergulho nas infinitas possibilidades


Por fim, as dúvidas e incertezas só existem na cabeça da gente. Se conseguirmos nos manter abertos, observando vamos ver que temos ao nosso dispor inúmeras possibilidades de ação. O difícil é escolher porque estamos todo o tempo avaliando de acordo com nossos condicionamentos. Alguns inadequados.

Se, conseguimos estar "vazios" e observando, então será mais fácil saber qual será a ação adequada para o momento.

Se abrir para as inúmeras possibilidades do momento presente é para muita gente assustador, principalmente, para quem está acostumado ou gosta de ter o "controle" de tudo.

Como nessa vida tudo é transitório, não temos controle de nada. É apenas mais um condicionamento.

Observe as oportunidades, agarre-as. Vá em frente e mergulhe nas infinitas possibilidades da vida.

Viva a vida! Ela é uma aventura!



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